Ubuntu: e tudo que a África do Sul nos ensinou

Se eu pudesse descrever com apenas uma palavra tudo o que a África do Sul nos ensinou, definitivamente seria: Ubuntu. Essa é uma palavra, que como muitas, não tem ao certo uma definição em português. Mais ou menos como a nossa “saudade” para os gringos, o significado é muito para ser reduzido a palavras.

Ubuntu

Originária das línguas zulu e xhosa, faladas na África do Sul, Ubuntu seria algo como: “Eu sou porque nós somos”. A ideia, em outras palavras, também pode ser interpretada como “Eu só existo porque nós existimos”. Claramente estamos abordando mais do que apenas idiomas, mas também, filosofia.

“A filosofia ubuntu sinaliza que as existências humanas estão interconectadas, portanto, a condição humana é uma existência coletiva. Por isto, que as manifestações que têm raízes nas tradições africanas sempre se organizam em “rodas” e não em “filas” ou em uma organização espacial que aponta alguém que emite (palco) e outro que recebe (plateia). Exemplo: rodas de capoeira, rodas de samba, rodas de candomblé, etc.” – Dennis de Oliveira, professor da USP e integrante do coletivo Quilombação, para GELEDÉS Instituto da Mulher Negra

Primeiro contato

Confesso que quando tomamos a decisão de visitar a África do Sul, não estava muito empolgada. Claro que estava feliz, afinal conheceria um novo continente, uma nova cultura. Mas, quando compramos as passagens nem imaginava o efeito que essa viagem teria em mim. Não é apenas pelo choque cultural, pela pobreza monetária. É sobre a riqueza de espírito daquelas pessoas.

Logo quando chegamos em Joanesburgo caímos na estrada para Malelane. Foram várias horas na estrada, então não tinha como não me dar conta da quantidade de pessoas que vimos pedindo e dando carona. Inclusive, várias caçambas lotadas de pessoas. Na hora pensei apenas em como aquilo era perigoso.

Mal podia imaginar, que para eles aquilo era completamente normal. Se alguém está precisando de ajuda e é possível ajudar, é natural para eles que o façam. Eles não pensam na própria segurança, eles pensam no próximo. Essa foi a primeira dica de ubuntu.

Vivenciado

Inúmeras foram as experiências que ubuntu nos trouxe durante esse tempinho na África do Sul. Desde os desconhecidos que nos ajudaram a encontrar nosso Airbnb, o guia que nos parou para dar dicas gratuitas e mandarmos bem no safári, os ranger que se dispõem a cuidar da natureza que nós humanos insistimos destruir.

Ao visitar o Museu do Apartheid então, Ubuntu fica ainda mais claro. O conceito enfatiza a necessidade da união e do consenso nas tomadas de decisão. Quem melhor que Mandela para simbolizar tudo isso? 

Entrada do Museu do Apartheid simboliza a segregação racial.

É ser mais humano

Vários são os sinais de Ubuntu, você só precisa saber capturar estes detalhes. Para os africanos é a capacidade humana de compreender, se colocar no lugar e tratar bem o outro. Ubuntu é solidariedade, altruísmo, fraternidade, é almejar a felicidade e harmonia entre todos.

Por isso, me desculpe África do Sul, se em algum momento te desmereci, mesmo que em minha própria cabeça. Agora que te conheci um poquinho, mais do que te achar linda por suas inúmeras belezas naturais, eu te admiro e respeito pelo povo que você criou!

O guia é também ex-prisioneiro em Robben Island.

Acompanhem os próximos posts, vamos falar sobre: custos, roteiros, relatos, recomendações e dicas. Sigam o Instagram e curtam a página no Facebook!

Fontes: GELEDÉS – Instituto da Mulher Negra
Ensiar História – Por Joelza Ester Domingues

Confira outras matérias:

Be First to Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *